Ibuprofeno deve ser evitado como tratamento para coronavírus

Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta terça-feira (17) que pessoas com sintomas do novo coronavírus não usem ibuprofeno para tratar a doença. O ministro da Saúde da França, Olivier Véran, em uma publicação no Twitter, no sábado 14, alertou que os medicamentos anti-inflamatórios poderiam piorar os efeitos da Covid-19.

“A ingestão de anti-inflamatórios [ibuprofeno, cortisona…] pode ser um fator para agravar a infecção. Em caso de febre, tome paracetamol. Se você já está tomando medicamentos anti-inflamatórios, peça conselhos ao seu médico”, escreveu Véran, médico especializado em neurologia.

A advertência do ministro chamou atenção do mundo e foi baseada em um estudo publicado pela revista científica The Lancet na última quarta-feira (11), que mostra que medicamentos que ativam a ECA2, um receptor presente naturalmente no corpo humano, podem potencializar a ação do novo coronavírus.

Isso acontece porque o novo coronavírus usa esses receptores ECA2 para invadir as células de suas vítimas, segundo um estudo anterior publicado na revista Science. Logo, a presença de uma maior quantidade desses receptores no organismo levaria a uma potencialização da ação do vírus. Vale ressaltar que o estudo da The Lancet foi apenas observacional e não indica uma relação de causa e consequência.

Diversos estudos anteriores mostraram que o uso de anti-inflamatórios por pessoas com doenças infecciosas pode ser um risco porque eles tendem a diminuir a resposta do sistema imunológico do corpo. Um estudo publicado no BMJ mostrou que pacientes com infecções respiratórias, como tosse, resfriado e dor de garganta que receberam ibuprofeno em vez de paracetamol, tiveram maior probabilidade de sofrer doenças ou complicações graves.

OMS

O porta-voz da OMS em Genebra, Christian Lindmeier, disse a repórteres que especialistas da ONU “estão analisando o assunto”. “Enquanto isso, recomendamos o uso de paracetamol e não usar ibuprofeno como automedicação. É importante”, disse Lindmeier.

*Com informações da OMS e da revista The Lancet

Categoria: Notícias

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